terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SILVIO SANTOS VEM DAÍ...


Ricardo Guilherme
ESPECIAL PARA O POVO

Camelô eletrônico, mágico e falastrão feito o nosso homem da cobra, Silvio Santos vem aí. Em seu programa de TV, aquela passarela que se projeta do palco e penetra a plateia compõe-se como uma rua, reminiscência das ruas onde a genealogia de sua persona persiste a evocar os ambulantes, as gestas da feira, o vaivém das praças, germe e cerne das cidades.
Silvio Santos vem daí: do ziguezigue no labirinto de veredas entre as barracas e da algazarra dos pregões, gênese do comércio que o animador transfigura em patuscada. Esse carioca paulistano, filho de um grego judeu com uma turca, descende de vira-mundos, andarilhos mercadores, de expressiva lábia. Sua arte deriva da fala, artimanha dos mascates; origina-se do rastro deixado pelas andanças desses povos emigrantes nos quais ressoa a voz dos escambos. E assim a histórica mala de seus antepassados torna-se o trans-histórico baú (da Felicidade), aberto não no sábado - dia de resguardo religioso para os seus ancestrais - mas no domingo, fazendo dos telespectadores também fregueses, expectadores de uma promessa ante a Porta da Esperança.
Silvio Santos advém daí: da memória de almocreves, da fluência e da espetacularidade dos nômades comerciantes, premidos pelo frio ou curtidos ao sol. Clown descolorido, de paletó e gravata, sem a maquiagem, os trejeitos e os habituais apliques e adereços da persona palhaço, o cognominado “Peru Falante” consegue, apenas pela entonação, gesticulação e domínio do ritmo de sua locução, equacionar a ciência da prototípica comicidade que ratifica a tradição advinda dos artistas de rua. Transforma as legendárias “macacas de auditório” em mercenárias colegas de trabalho que “topam tudo por dinheiro” e com essas neo-Macabéas contracena, em “pegadinhas”, como se fosse o tradicional escada, aquele comparsa que no picadeiro prepara a piada ou a gag em uma dupla cômica.
Silvio Santos provém daí: dos feirantes de São Paulo, essa babélica maloca que se fez capital do Nordeste. E porque também somos de uma “provincianópole”, podemos por atavismo nos identificar com ele e reconhecer que Silvio Santos vem daqui, pois Fortaleza, cidade de mar emigrada do sertão, surgiu ao derredor da antiga Feira Nova, atual Praça do Ferreira, e preserva – ainda que à revelia de si mesma – os resquícios das xepas e a cepa dos “galegos” que batiam de porta em porta tentando vender aos nossos avós as novidades de tecidos e joias a crediário de carnê e cadernetas.

Talvez por isso é que a esse tele-bodegueiro o nosso olhar se entregue. Porque temos na massa do sangue o DNA de quem, sem carteira de trabalho, negocia e apregoa bugigangas: Ei, dona menina, se achegue. Aqui tem de tudo um tanto, toda e qualquer quinquilharia. Vem, vem. E é só se for agora, porque se o Silvio Santos vem aí, o rapa também vem.

Ricardo Guilherme é escritor, teatrólogo e produtor de televisão. É também professor de Teatro da Universidade Federal do Ceará e criador do Teatro Radical.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS



A Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH) e com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), realiza a Semana de Nacional de Direitos Humanos, que acontece entre os dias 3 e 7 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.


O evento tem o objetivo de fomentar a discussão sobre os direitos humanos na cidade de Fortaleza e dar subsídio à população nas questões que se referem ao direito da criança e do adolescente, do idoso, da pessoa com deficiência, da comunidade LGBTT, dos negros, índios e ciganos. O projeto tem o apoio ainda das secretarias de Cultura de Fortaleza (Secultfor) e do Governo do Estado do Ceará (Secult).


A programação da Semana conta com seminários, oficinas fixas e volantes em áreas estratégicas da cidade e apresentações culturais, todos com vistas a difundir e, portanto, lutar pela implementação dos direitos das minorias. As palestras abordarão temas como Educação e Cultura em Direitos Humanos, Liberdade Religiosa, Dignidade e Desenvolvimento Humanos e Memória de Fortaleza e os Direitos Humanos. As oficinas, que serão divididas em teóricas e práticas, pretendem dar ferramentas aos participantes de se expressarem por diversas linguagens.


Além disso, 15 grupos de arte pública estarão, ao longo da semana, realizando apresentações em vários locais da cidade. Os grupos são: Amplitude, Selo Coletivo, Companhia Pã, Teatro de Caretas, Traços Aleatórios, Liquidificador sem Tampa, Anima, Coletivo Curto-Circuito, Grafiticidade, R.A.M., MeioFio, Mediação de Saberes, Cadafalso, Acidum e Balbucio.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA: http://www.fortaleza.ce.gov.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PAISAGEM DA PEDRA



Salpiquei sobre a paisagem da pedra
Um pouco daquele sal
Que guardamos nas camisolas do tempo.
E ao tocar o lago
Que não era verde nem azul
Senti que tudo estava mais perto
E que a pedra falava comigo
Através do idioma do bem.

Remexi naquele dia
Com a criança que bolina o coração da cozinha,
Assaltando a dispensa
E metido em saliências com os bichos da casa.
Criança baladeira
Que não é mais do que osso,
Couro e sobrancelha
Que cheira naturalmente
Ao azedume daqueles que nascem
Do sonho e da terra.

CONVERSA COM EDUARDO



Eduardo uma vez me disse
que as veias abertas sangram
e que sangram muito.

Sangram diariamente nas horas,
nas portas,
nos templos
e nas acareações públicas.

Sangram no suplício
do cotidiano das fábricas.
Sangram no olhar frio das armas,
no útero cancerígeno dos quartéis.

Sangram e pedem remorso
mesas brancas
danças negras
tanta saudade de Macondo
e dos curumins de minha casa.
Mas ainda não foi possível estancar.

Sangram no cais sem navios
nas meninas desvirginadas
no tédio dos almoços dominicais.
Sangram os negros boçais,
cortam os pulsos
e sangram de verdade.
Verdade que falta nos jornais
e nos casamentos arranjados.
Sangram a honestidade de filhos e pais.

Sangram na comida que é pouca
Sangram a roupa
o lençol
Sangram o sertão,
a cidade e as matas
Sangram São Francisco
te sangram por nada
por pílula nenhuma
que derrube a sede emanada.

Sangram minha oiticica,
meu martelo enferrujado,
casa de pau-a-pique,
meu celeiro, meu roçado.
Sangram a noite
quando os tiros deram trégua
Sangram infelizes
minha reza
meu apocalipse
galinha caipira foi quem mais sangrou.

Sangram a velha rabeca
encostada
quase falecendo
adoecida com um remendo
do tamanho da minha tristeza.
Sangram caríssima natureza
teu caule
e meu caule
tua folha
e minha flor
Sangram até o pensar
se até já sangraram o amor.

E sujo o sangue
pois são veias
ofende as palavras
mofando livros e poetas
que tanto lançaram pequenas agulhas
na vastidão de nossas colchas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EURICO BIVAR




Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural -
diante dos acontecimentos de cada dia.
Numa época em que reina a confusão,
em que escorre o sangue,
em que se ordena a desordem,
em que o arbítrio tem força de lei,
em que a humanidade se desumaniza....
Não digam nunca - Isso é natural! -
Para que nada passe a ser imutável.

Eu peço com insistência
Não diga nunca - Isso é natural -

Sob o familiar,
Descubra o insólito,
Sob o cotidiano, desvele o inexplicável.

Que tudo o que é considerado habitual
Provoque inquietação,
Na regra, descubra o abuso,
E sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio.


Bertolt Brecht

a Arte de Bivar sempre será mais forte que qualquer violência...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2010 VAI PARA O PERUANO MÁRIO VARGAS LLOSA


O prêmio Nobel de Literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos.

De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e suas afiadas imagens da resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa.

O ganhador do Nobel recebe um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares).

Autor de obras como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994.

Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo sua biografia em seu site oficial.

Em 1959, ganha uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa - incluindo Espanha e Paris - onde publica seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e uma peça de teatro chamada "La huída del Inca".

O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), particpando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Abraço, Marcelo.



A cidade ficou um pouco menos poética.
Feia, poderia dizer.
Mas a beleza da poesia visceral ainda assombra as ruas...principalmente no Benfica.

Quem perguntar por aquele garoto...ele ainda tá aí...
A enlouquecer a sensatez e o tédio das pessoas cinzentas...
Belo louco, quase amigo, poeta infinito...e nós ficamos aqui a recitar nossos poeminhas...

Abraço Marcelo, aquele que a gente ficou devendo. Valeu!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O BLUES ESTÁ DE VOLTA NO MERCADO!


Paralisado desde o final do ano passado, o projeto Casa do Blues retorna amanhã à praça do Mercado Joaquim Távora, com show do cantor, guitarrista e compositor cearense Artur Menezes. A apresentação marca a tentativa de retomada do projeto, que ao longo de 2009 movimentou o espaço aos sábados, contribuindo para ampliar o público do blues

Enquanto Fortaleza ainda se ressente de uma maior utilização de seus espaços públicos para atividades culturais, algumas iniciativas tentam modificar essa realidade, unindo artistas e públicos para compartilhar cenários da cidade. Um exemplo é o projeto Casa do Blues, que ao longo de 2009 promoveu, com regularidade, shows aos sábados, na praça do Mercado Joaquim Távora, na Av. Pontes Vieira, próximo ao Parque Rio Branco.

Iniciadas às 18h, as apresentações ofereciam a chance de conferir, sem pagamento de ingressos, shows de bandas cearenses, eventualmente com a presença de convidados de outros estados, procurando ampliar o público para o blues. Além de uma boa opção para o início de noite dos sábados, o projeto também rendeu frutos para moradores do bairro e permissionários do mercado, que passaram a abrir seus boxes durante os shows e a montar uma estrutura para receber os amantes do blues. Mas a sequência de apresentações foi paralisada em dezembro último, devido a um impasse entre os músicos e a Prefeitura de Fortaleza, que apoiou financeiramente o projeto no ano passado.

Enquanto a espera continua, os músicos reunidos no Casa do Blues agendaram para amanhã uma apresentação especial no local, na tentativa de contribuir para a retomada do projeto. Atualmente radicado em São Paulo, o cantor, compositor e guitarrista Artur Menezes capitaneia a noite, prometendo reunir os integrantes das bandas Blues Label, De Blues em Quando e Puro Malte. Músicos como Roberto Lessa (guitarra), Leonardo Vasconcelos (teclados), Felipe Cazaux (guitarra) e Diogo Farias (gaita).

Artur, que contará com a companhia de Lucas Ribeiro no baixo e P.H. Barcellos na bateria, vem realizando uma temporada que inclui uma apresentação hoje, na Órbita, no entorno do Centro Dragão do Mar. Mas o show de amanhã, destaca, tem significado especial. "Vamos fazer essa edição especial da Casa do Blues, na cara e na coragem", define. "Talvez até haja prejuízo, se não conseguirmos os apoios que estamos procurando, mas não importa. Queremos ver se com essa apresentação damos uma reanimada na cena de blues e se isso de alguma maneira ´cutuca´ a Prefeitura, ou chama a atenção de possíveis patrocinadores, para a volta do projeto", acrescenta.

Blues antes das eleições

Em clima de apresentação coletiva, o show será marcado pela interação entre os músicos. "Vai ser um grande encontro entre amigos, com os músicos de cada banda tocando em outras formações", antecipa Artur, que além de mostrar suas próprias composições, dando continuidade à divulgação do disco "Early to Marry", mostrará releituras de clássicos do blues, como um arranjo country para a tradicional "Crossroads", de Robert Johnson. E versões de músicas de outros gêneros, transpostas para uma roupagem blueseira. "Vamos tocar ´The way you make me feel´, do Michael Jackson, e ´Revolution´, dos Beatles, em homenagem às eleições", avisa. O blues defende seu espaço.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

LISTOMANIA

Sugestão da minha amiga Silvia, aqui minha LISTOMANIA. Muito legal lembrar de algumas coisas que lêmos, e que ficam guardadas lá fundo, mas que fazem parte de nossa história, de nossa carne. Quinze não é suficiente...Depois faço o lado B da lista...

01. Cartas a um jovem poeta - Raine Maria Rilke
02. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
03. Do amor e outros demônios - Gabriel Garcia Marquez
04. Tudo que é sólido se desmancha no ar - Marshall Berman
05. O evangelho segundo Jesus Cristo - Saramago
06. Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
07. O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marquez
08. Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach
09. Concerto para corpo e alma - Rubens Alves
10. A insustentável leveza do ser - Milan Kundera
11. O beijo da mulher aranha - Manuel Puig
12. Para além do bem e do mal - Nieztsche
13. O cortiço - Aluísio Azevedo
14. Dom Casmurro - Machado de Assis
15. e pra lembrar a adolescência: Um cádaver ouve rádio (é o novo!) - Marcos Rey

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

I FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE FORTALEZA



Páginas mágicas de onde saem monstros, guerreiros, fadas e príncipes. Bichos que falam têm superpoderes e salvam o mundo das bruxas e dos seres malévolos. Nos livros infantis, cabem diversos mundos encantados e fantasiosos, mas também muito aprendizado em diversas áreas do conhecimento e dos sentimentos, tanto para crianças quanto para os adultos. Pensando na importância secular da literatura infantil, a Casa da Prosa, com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), realiza a I Feira do Livro Infantil de Fortaleza. O evento acontece de 15 a 18 de setembro, na Praça do Ferreira.

A Feira do Livro Infantil de Fortaleza é um evento literário que visa promover a literatura infanto-juvenil, o livro e a leitura. O objetivo do evento é provocar na população a certeza de que ler é uma atividade que conduz à imaginação e ao pensamento crítico, além de promover o desenvolvimento pessoal e social, reafirmando princípios e valores éticos, bem como valorizando a memória e a história dos povos. A Feira também busca fortalecer o mercado editorial, em especial as pequenas editoras do Nordeste brasileiro.

Esses são princípios da política para a literatura, o livro e a leitura da Prefeitura Municipal de Fortaleza, intitulada Ler é Ter Direitos. A política é uma pactuação entre a Prefeitura, através da Secultfor e da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), e diversos parceiros na área pública e privada que pretende mostrar à população que Fortaleza pode se tornar uma cidade de leitores.

A programação da I Feira do Livro Infantil inclui oficinas, shows, contação de histórias, palestras e debates com autores e ilustradores. O show de abertura será com a cantora de músicas infantis e contadora de histórias Bia Bedran, com a participação do Instituto Conta Brasil, entre os quais estão Benita Prieto e Zé Bocca.

O evento contará ainda com a presença dos escritores Ana Miranda, Ricardo Azevedo, Fabiana Guimarães, Mara Monteiro, Tércia Montenegro, Rosana Mont’Alverne, entre outros. A Feira está de páginas abertas, venha fazer parte dessa história.

A I Feira do Livro Infantil de Fortaleza também tem o apoio de diversas empresas e instituições, entre eles a Endesa Fortaleza, a Coelce, o Centro Cultural Banco do Nordeste − CCBNB, o Ministério da Cultura (MinC), o Diário do Nordeste, o Conta Brasil e a Câmara Cearense do Livro-CCL, a Revista Vida e Educação, a UNDIME-CE e a Academia Cearense de Letras.


Confira aqui a programação completa da I Feira do Livro Infantil de Fortaleza.

:: SERVIÇO
I Feira do Livro Infantil de Fortaleza
Data: 15 a 18 de setembro
Horário: 8h às 20h30
Local: Praça do Ferreira
Informações: (85) 3252 3343 e www.flivrofortaleza.com

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

REPÚDIO A INTOLERÂNCIA!!!

Publico aqui matéria do jornal "O Estadão" de São Paulo, sobre pastor norte-americano que faz campanha para criar o "Dia Internacional de queima do Corão".

GAINESVILLE - O pastor Terry Jones, líder de uma pequena igreja na Flórida que prega uma filosofia anti-islâmica, disse nesta quarta-feira, 8, que está determinado a executar seu plano de queimar exemplares do Corão para lembrar os ataques terroristas de 11 de setembro mesmo pressionado pela Casa Branca e por outras religiões.

"Estamos determinados a fazer isso", disse ele ao canal CBS. Logo após Jones anunciar a ideia, o governo americano e a até militares criticaram a iniciativa. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e o comandante das tropas americanas no Afeganistão, o general David Petraeus, condenaram a atitude. O Vaticano também rejeitou a ideia.

O pastor disse que recebeu mais de cem ameaças de morte e que desde então passou a portar um revólver de calibre .40. Em julho, ele declarou que faria campanha pelo "Dia Internacional da Queima do Corão".

Pessoas que apoiam a iniciativa de Jones passaram a enviar cópias do livro sagrado do Islã para seu email. No dia 11 de setembro, quando os atentados contra o World Trade Center completarem nove anos, todas serão jogadas em uma fogueira. "Em vez de recuar, é hora de se levantar. Talvez seja a hora de enviar ao Islã radical dizendo que não mais aceitaremos o seu comportamento", disse o pastor na entrevista.

Segundo Jones, o Corão é "maléfico" por expor uma verdade que não é a da Bíblia e incita um comportamento violento entre os muçulmanos. Os islâmicos consideram o Corão e todo material que tenha seus versos ou os nomes de Allah e do profeta Maomé como sagrados. Qualquer ação que danifique ou desrespeite o Corão é considerada extremamente ofensiva.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

I FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE FORTALEZA



A Feira do Livro Infantil de Fortaleza é um evento de cunho cultural com o objetivo de promover a literatura infanto-juvenil, com a participação de editoras de todo país ou seus representantes.

A Feira do Livro Infantil de Fortaleza será realizada na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, no período de 15 a 18 de Setembro de 2010. O local dispõe de rampas de acesso para deficientes físicos, lanchonetes, espaço para banheiros públicos, espaço para apresentações, auditório e galeria ao lado da parte principal da praça onde poderão ocorrer palestras e eventos literários.Haverá sessões de autógrafos, palestras e debates com autores e ilustradores, saraus literários e contação de histórias para crianças e toda a família.

Durante a feira serão oferecidos livros com descontos generosos (de até 30%), inclusive para os lançamentos.

Deficientes visuais contarão com uma programação especial de leituras em voz alta, tenda de áudio book, livros e a programação do evento impressa em braile, facilitando assim a sua participação no evento.

A periferia de Fortaleza também contará com atrações da feira, como encontros com os autores, saraus, peças teatrais e expositores em ginásios dos principais bairros da cidade, beneficiando um maior número de pessoas com as atividades culturais.

• Condições de participação

Responder a carta convite até Março de 2010.

Cada editora ou seu representante apresentará uma lista de pelo menos 25 (vinte e cinco) livros com descontos especiais. Para participar da Feira, os mesmos serão apresentados antecipadamente às escolas particulares de Fortaleza e Região Metropolitana.

Assinar termo de adesão com as condições da Feira com descontos de até 30%.

• Benefícios aos Expositores

Estandes gratuitos.

Segurança durante o evento.

Sala ou local para guarda de volumes com vigilância 24h.

Sala de imprensa ou tenda para recepção de autores.

Indicação de um lançamento no evento.

• Informações

Contatos

Tel: (85) 3252.33.43 - Falar com Karini.

E-mail: flivrofortaleza@gmail.com

Horário de funcionamento: a partir das 8h30min. As atividades se encerram às 21h
O Balcão de Informações da Feira do Livro Infantil de Fortaleza fica ao lado do palco principal.

• Localização

Praça do Ferreira - Centro - Fortaleza - Ceará.

• Curador e coordenador geral da Feira:

Almir Mota

Autor de 16 (dezesseis) livros de literatura infantil, incluindo temas ligados ao folclore e às paisagens históricas do Ceará. Entre estes estão: O Bode Ioiô e a Galinha Choca de Quixadá. Atualmente está lançando a Coleção Prosas do Brasil pela Casa da Prosa.

Recém-ganhador do II Concurso Literatura Para Todos do MEC (2008) com o texto: A fera do canavial, para jovens e neoleitores.

Convidado de eventos nacionais e internacionais de contadores de histórias, como a Feira de Livros do México, e o XXI Encuentro de Contadores de historias y leyendas em Buga, na Colômbia.

Foi coordenador da programação infantil do pavilhão F da 5ª e 6ª. Bienais Internacionais do Livro do Ceará em Fortaleza – 2004 e 2006.

Atua como contador de histórias em Centros culturais pelo Nordeste, também no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Editor da Casa da Prosa e Diretor do Conta Brasil.

Miembro de la Red Internacional de Cuentacuentos.

• Coordenação executiva

Jamila Karini

• Coordenação de atendimento a escolas e formação:

Júlia Barros

• Coordenador e produtor de atividades artísticas:

Raimundo Moreira

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"HISTÓRIA DA RESSUREIÇÃO DO PAPAGAIO" DE EDUARDO GALEANO



Livro para o público infantil traz recriação de fábula nordestina a respeito da aparição do papagaio. História foi ouvida pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano no Ceará e traduzida pelo poeta Ferreira Gullar

Eduardo Galeano é daqueles escritores "vitimados" pelo sucesso de uma obra. O ensaio "As veias abertas da América Latina" (1971), avaliação crítica do histórico de violências cometidas contra os povos da região, deu a ele a identidade com que costuma ser lembrado. O livro o investiu de autoridade, de forma que o autor é uma voz a que se recorre com frequência para opinar a respeito dos rumos do continente e para comentar acontecimentos impactantes. Claro, ele também abriu espaço para que obras posteriores e anteriores de Galeano fossem lidas e publicadas - nas áreas de jornalismo, ensaísmo histórico e, ainda, literatura.

Deparar com um livro como "História da ressurreição do papagaio" funciona como um lembrete: o trabalho de Eduardo Galeano merece ser lido com mais atenção. Não faltarão aqueles que serão tomados de assombro ao encontrar uma inusitada versão do homem que expôs as veias abertas de nossa terra. O Galeano desse livro não apenas escreve em versos como não traz vestígios de sua produção engajada. A qualidade da escrita, contudo, se mantém constante (o que no caso do autor é algo positivo).

"História da ressurreição do papagaio" é na verdade um poema transformado em livro infantil. O que determina essa interpretação do texto não é tanto o estilo de Galeano, mas a natureza da história que ele conta: não há dúvidas, trata-se de uma fábula. Para coroar a sucessão de assombros que o livro suscita (sem encerrá-los, necessário dizer), descobre-se na contracapa tratar-se uma história colhida pelo escritor no Ceará. Ela conta como o papagaio tornou-se a ave com as características que conhecemos.

Cores e histórias

Eduardo Galeano saiu de seu país em meados dos anos 1970, fugindo da repressão da ditadura militar instalada no Uruguai. Daí, tornou-se um andarilho. O Brasil foi um destino recorrente. Foi numa feira no interior cearense que ele conheceu a lenda por trás das cores do papagaio. História que, como é comum no repertório da tradição oral, deve ter sido contada em inúmeras versões, sempre encontrando um narrador mais criativo, que tenha se aventurado a dar sua própria forma a um episódio criado não se sabe quando, nem por quem. Galeano dá sua contribuição, repetindo em versos uma história que, certamente, encontrará quem a repasse.

Reencontro

A edição trabalha a obra no sentido de que a literatura infantil não pode se permitir ser uma literatura menor, descuidada. A tradução dos versos, por exemplo, ficou a cargo de Ferreira Gullar. Nas entrelinhas, se vê o reencontro de Gullar como o campo da poesia popular nordestina. O uruguaio diz ter tirado sua fábula de um folheto de cordel, mesma linguagem poética de que o maranhense se valeu no começo dos anos 1960, no auge de sua militância comunista, para chegar de maneira mais fácil e eficiente ao "povo". Para a mesma editora, Ferreira Gullar já havia trabalhado em outro livro-poema infantil. Foi ele quem verteu "O Livro das perguntas", experimento poético vanguardista do chileno Pablo Neruda.

As ilustrações também remetem à arte tradicional na região, de uma maneira nada óbvia. Em vez de desenhos ou pinturas, são fotografias que traduzem em imagens as cenas do poema. Fotografias das esculturas em madeiras do espanhol Antonio Santos, peças de cortes minimalistas, pintadas a mão, que bem poderiam passar por trabalhos ornamentais, mas que são ressignificadas pelo enquadramento da lente.

Em "História da ressurreição do papagaio", o pássaro ainda não é o falastrão protagonista de inúmeras piadas. É, curiosamente, um personagem mudo, ausente. Curioso, ele morre ao cair numa panela de sopa fumegante. Segue-se uma onda de tristeza, que abate igualmente seres vivos e inanimados; pessoas, mas também árvores e o vento. O tom é de melancolia.

POESIA
"História da ressurreição do papagaio"
Eduardo Galeano
R$ 42,00
24 PÁGINAS
2010
COSAC NAIFY
TRADUÇÃO: Ferreira Gullar

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

INAUGURAÇÃO DA SEDE DA CIA. PÃ DE TEATRO



Nesta terça (24) a partir das 19h a Pã estará inaugurando sua sede no Benfica. Venha celebrar conosco essa conquista do coletivo teatral de Fortaleza. Conheça um pouco mais a história da Companhia Pã:

A Companhia Pã de Teatro Pesquisa Produção Artística e Cultural, fundada em 15 de Abril de 1996 pelo Diretor, Ator, Iluminador e Dramaturgo Karlo Kardozo, com o objetivo de desenvolver técnicas de pesquisa e produção cênica de contação de história, visando o desenvolvimento de uma poética pluricultural, centrada na performance do ator.

De 1997 a 2000, integrou-se a Associação de Teatro Radicais Livres, fusão de três grupos, a Companhia Pã, o Grupo de Pesquisa de Ricardo Guilherme e a Companhia Pessoa de Teatro de Ghil Brandão. Funda junto a Associação o Teatro Radical (Praia de Iracema - Fortaleza - CE) onde desenvolve diversos projetos (oficinas, palestras, exposições, seminários, debates), mantém o Centro de Pesquisa em Teatro (biblioteca, núcleo de referência midiática e banco de textos dramatúrgicos) e um Núcleo de Contação de História.

De 2001 a 2006 o Teatro Radical cerra suas portas, mas a Associação continua seus trabalhos participando do Festival Nordestino de Teatro (Guaramiranga), Festival Internacional de São Jose do Rio Preto (SP), Mostra Cariri, Projeto Palco Giratório – SESC, Ato Compacto – BNB, Mostra Radical, entre outros.

A partir de 2007, dissolvida a Associação, a Companhia inicia uma nova fase conduzindo as experimentações estéticas e incursões investigativas pelo campo da antropologia, da filosofia e da política, com a qual a Pã vem consolidando uma poética transdisciplinar conectada com termos e códigos propostos pela contemporaneidade.

2007/2008 inicia o projeto Fragmentos do Corpo, uma reflexão sobre o erotismo e suas múltiplas faces. Fragmentos é uma experimentação cênica e dramatúrgica sobre caldeamento das paixões humanas, transcriadas pela fragmentação e sobreposição de linguagens e meios.

2009 inicia o projeto Cidade Noiada, uma investigação estética, ética e política acerca do fenômeno espacial urbano, concreto e virtual, que se propõe a contribuir para a reflexão sobre o lugar do teatro na contemporaneidade. Para tanto, busca-se construir uma dramaturgia cênica e escrita de modo hipertextual que sirva de interface para o diálogo com os meios interativos, compreendendo a cidade em sua estrutura de asfalto e cimento como um ambiente hipertextual e socialmente indissociável de sua existência virtual e on-line.

Hoje a Companhia Pã, sediada no Benfica / Fortaleza-CE, desenvolve os seguintes projetos:

Pã Revista de Arte e Cultura – revista eletrônica colaborativa de cultura livre. refletindo, divulgando, debatendo, conectando, tecendo a rede do fazer artístico e cultural da cidade, linkado sempre com o universal.
TV Pã – TV online para debates sobre as ações do Projeto Cidade Noiada, entrevistas sobre teatro, intervenções urbana, etc.
Biblioteca Pã – com ênfase em arte, cultura, política, filosofia, antropologia e história. Aberta a consulta pública.
Projeto Cidade Noiada – atualmente desenvolvendo as ações “Janelas na Cidade” e “Territórios Errantes” uma investigação estética, ética e política acerca do fenômeno espacial urbano, que busca construir uma interface para o diálogo com a cidade em sua estrutura de asfalto e cimento como um ambiente hipertextual e socialmente indissociável de sua existência virtual e on-line.
Projeto Farol da Memória - um projeto de construção coletiva da memória do bairro Serviluz – Fortaleza-CE, através do teatro, literatura, artes visuais e mídias eletrônicas, Desenvolvendo um coletivo inter-geracional protagonizado por jovens e idosos os quais atuarão como “Agentes da Memória”, entrelaçando o tempo e as diversas experiências individuais e coletivas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

JARDINEIRO



"Por favor" tem cheiro de capim
quando tudo se pode plantar
e aquele algo mais que se diz:
"Quer ser feliz?"
Pra bondade poder brotar.

Esta plantinha que tem dentro mim
é a mesma que eu vi em teu jardim.
Tem amarelas flores vemelhas,
tem espinhos que não furam o jasmim
mas folhinhas da amada gentileza.

Não vou te chamar de azedo cravo
pois Obrigado é o que sempre escuto de ti.
"De nada" não cobra nada
É bem fácil repetir.

Volte sempre.
Sua presença é benvinda no terreiro.
Ame sempre.
O amor é um grande jardineiro.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

UMA DOSE DE GENTILEZA, COM DUAS PEDRAS DE GELO, POR FAVOR...DÁ PRA TIRAR O GELO.

Não é por nada não,
mas dá pra ser um pouco GENTIL,
se não...
não sei onde a gente vai parar.
Mas já não estamos parados!

Sou um menino para antes do meu tempo...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

ÁGUA DE QUARTINHA

Há de nascer o sangue da terra
Que vai florir meu eterno jacundá
Feito cobra bailarina que desce lá da serra
Pra aguar as costas do meu mar.

Vou subir nos matagais lá de cima
Pra mais bela fonte virgem encontrar
Fazer batuque na água mais cristalina
Onde o segredo desta vida eu hei de saciar.

Água que não é leite, não é vinho
Não evoca santos milagres lá do céu.
É colhida na mão do que faz o caminho
Que trabalha todo dia em seu cordel.

Água bendita nas prosas do trabalhador
Guardada no sagrado coração de sua quartinha
Pra nunca esquecer que pra lembrar do amor
É preciso ter o que se dá. Dar o que se sinta.

O cantar do pífano agora vem anunciar
O mestiço desconcerto da aurora
Que em sua batida cabocla vai o mundo misturar
Gente com água, água com gente, nota com nota.

Em 21/01/2010

QUEM VAI NOS LEVAR?


Quando nascemos o mundo parou
Pra dizer o tal motivo que a gente vai levar
Por entre os caminhos que nunca se sabe
Mas que a gente carrega pra nos continuar.

Mexer com a vida e com quem nela está
É o nosso sangue que ainda é quente,
Inércia calada que nos atira para frente
Quando o resto de tudo insiste em estancar.

Deixa a canção ser repetida
Quantas vezes quiser cantar,
Pois a palavra mil vezes dita
Se tem amor, impossível não deixar.
Vamos banhar quem é tão querido
Com o nosso futuro presentear
E nas cantigas do destino,
Ser a música do que virá.

Em 21/09/2005
Para os grandes amigos. Eles sabem quem são.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

QUEM PRECISA DE POLÍCIA?



Sérgio Cabral pede desculpas a pai de menino morto com bala perdida por erro da Polícia.

Investigação apura por que policiais não encaminharam envolvidos no atropelamento de Rafael Mascarenhas até a delegacia.

Segundo advogado, Bruno e Macarrão foram torturados, Eliza está viva e ciranda da polícia ajuda defesa.

Delegadas do caso Bruno são afastadas após vazamento de vídeo.

***
Polícia, para! Quem precisa? Polícia, para! Quem precisa de polícia?

SHOW ÁGUA DE QUARTINHA E RENEGADOS



Celebrar laços de amizade e fortalecer o cenário da música autoral em Fortaleza. Com esses objetivos as bandas cearenses Água de Quartinha e Renegados, duas das mais antigas e atuantes na cidade, dividem o palco hoje pela primeira vez. O show acontece no The Pub, no entorno do Centro Dragão do Mar. O repertório inclui prioritariamente canções próprias.

A realização é da Candeeiro Cultural Eventos & Produções. Segundo o produtor Tiago Ribeiro, a amizade entre os membros da banda e a afinidade de propostas contribuiu para o surgimento da ideia. "Além de todos se conhecerem, os dois grupos têm um trabalho autoral forte e uma postura de independência na produção. Então a aproximação foi natural", ressalta.

A Água de Quartinha atua desde 2004, sob a proposta de unir elementos elétricos e tradicionais do rock (guitarra, baixo, bateria) ao estilo que se convencionou chamar música popular regional, fundamentado na percussão e no som dos pífanos. Foi fundada pelo vocalista e flautista Zé Rodrigues.

A Renegados, por sua vez, é uma das bandas mais conhecidas de Fortaleza, com nada menos que 17 anos de estrada. Tem influência direta das épocas áureas do rock (anos 50, 60 e 70) e da música brasileira com raízes nordestinas. As referências comuns são outro fator que aproxima os dois grupos.

"Aqui músicos não costumam ir em shows de outros músicos. Isso é ruim, porque até temos uma boa cena, mas o pessoal é desunido. As bandas não se prestigiam, mas todas querem público. Então a ideia desse encontro é tentar quebrar essa coisa, dar um passo para fortalecer a música independente no Ceará e conquistar mais público, especialmente em Fortaleza, que é a terra do cover", brinca Ribeiro.

Apesar da crítica, o produtor admite que nem sempre é possível abrir mão de tocar músicas conhecidas. A opinião é compartilhada por Ricardo Pinheiro, baterista que toca nas duas bandas. "A receita é essa, sempre encaixar alguns covers com trabalho autoral. Embora a situação esteja mudando - por exemplo, há shows em que a Renegados toca apenas músicas próprias, porque existe público pra isso -, muitas pessoas ainda estão acostumadas ao cover", desabafa Pinheiro.

Assim, no show de hoje a Água de Quartinha toca primeiro, intercalando sucessos do Chico Science & Nação Zumbi com músicas do CD próprio, chamado "Desconserto", além de faixas do próximo disco, previsto pelo grupo para lançamento no ano que vem.

Depois entra a Renegados, com músicas autorais e outras de Raul Seixas. Haverá ainda um momento de interação entre as duas bandas. "Apesar de ser mais voltada para o rock e o blues, a Renegados também tem influência forte da linguagem nordestina. Nosso avô - meu e do meu irmão Marcelo, guitarrista da banda - era repentista e violeiro. Então carregamos elementos desse universo, como a literatura de cordel", destaca Pinheiro.

MAIS INFORMAÇÕES:
Show renegados e Água de Quartinha
Hoje, a partir das 21h no The Pub (Rua Dragão do Mar, 198, Praia de Iracema). R$ 10. Fone: 3219-7740

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA



As inscrições para o cadastro cultural que vai eleger o Conselho Municipal de Cultura de Fortaleza foram prorrogadas até o dia 26 de julho de 2010. Elas podem ser feitas através da internet(ver site da secultfor) ou nas Secretarias Executivas Regionais. Hoje, 15 de julho, haverá um debate sobre política cultural e a importância do Conselho para a Cidade de Fortaleza. Vai ser no Mercado do Pinhões, às 19:00h.
Participe.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

BRAVURA, CAMARADAS! É PRECISO BRAVURA!



Lá por 2006(ou 2007, não me lembro bem...), meu grande amigo Márcio Ferreira,o qual insisto contra vontade dele de chamá-lo de "meu advogado", me apresentou um cidadão que gostaria de conhecer o que eu escrevia. Um tal de "Kelsen". Segundo ele, escritor, professor, poeta, homem vivido nas coisas da vida e das letras. Kelsen é um negão. Na juventude, lutador de capoeira, nadador, jogador de futebol, namorador, ativista político, o bicho era o cão!!!!
E hoje, ele ainda tem os caninos afiados contra a injustiça e contra a maldade.

Temos várias coisas em comum...
O nosso querer de um mundo melhor...
A nossa amizade inabalável...
O humor que nos torna crianças...
A nossa paixão por Lidianes...
A nossa inesgotável carência de gente viva...

Mas... Kelsen trás o sobrenome... bravura, camaradas!Bravura!

terça-feira, 6 de julho de 2010

FM ASSEMBLÉIA

Quem quiser conferir o bate papo que tivemos na FM Assembéia sobre poesia, literatura infantil e vida, basta ir ao link:

http://www.al.ce.gov.br/webradio/index.php?categoria=3

Também será reprisado na terça-feira, dia 06/07, na rádio 96.7, às 20:00.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PROGRAMA AUTORES E IDÉIAS

No próximo sábado(03-07-10), às 15:00h, vai ao ar no Programa Autores e idéias da Rádio FM Assembléia, entrevista concedida por mim, falando sobre o Livro O Sábio Aratu da Sabiaguaba. Também um bate-papo sobre poesia, literatura infantil no Ceará, meio-ambiente e vida...
Quem quiser conferir, vale a pena...
FM Assembléia(96.7)

terça-feira, 22 de junho de 2010

MARADONA É UM CLOWN!



Futebol é claro, também é poesia.
É o bombardeio de maravilhas e irritações.
É o misto de dançar no chamado "equilíbrio precário" e ser bobo. Por quê não ser bobo? Por quê não brincar com quem somente brinca? Por quê não divertir-se com algo que foi feito pra isso?
Futebol é ser palhaço.
E em um mundo onde o "comprometimento" e os discursos pragmáticos invadiram o futebol, a anárquica postura de Maradona salva uma competição chata, cheia de orientações carregadas do chamado "futebol resultado".
Maradona é a própria brincadeira do futebol.
É o falso e o verdadeiro juntos.
O lúdico que se engana. O que beija, agarra, o que quer jogar sempre.
Maradona é futebol quer quer diversão. E não ser Alemanha.
Maradona é o que diverte o mundo. O CLOWN!

A MULHER QUE VIRAVA ÁGUA.



"Sempre achei que o céu fosse de licor. Um licor azul de tão gostoso. E que se eu estendesse a mão poderia esparramá-lo por todo o ar. Tomar banho de licor azul. E fecundaria dentro de mim um grande pé de eucalipto. O maior que já se viu. Bonito, frondoso e muito, muito perfumado. Seria meu filho. Florescido do meu útero de licor azul. Não o levaria a escola. Lá eles não gostam de eucaliptos. Não gostam de jacarandás. De abacateiros nem de cajueiros. Escolas gostam de mortos. E eu não vou parir nada morto. Tudo vivo, vivinho. Meus filhos não são de escola... Vou levá-los sempre que puder ao jardim das margaridas para que possam compartilhar suas sombras e sua caridade. Os jardins são reinados sem príncipe, sem rei, sem mestre, sem dono ou dona. Todos nos jardins são iguais. Rosas são lírios. Lírios são cravos. E cravos são begônias. Todo encantamento de uma beleza verdadeiramente honesta."

Trecho do conto "A MULHER QUE VIRAVA ÁGUA" de 2002.
Em outros momentos, vou publicar mais trechos.

ALIMENTO



Quero a vida suculenta em bons lençois,
em afagos e suspiros,
para que o inventado poeta que mora em todos nós,
possa em versos, dar de comer e beber aos nossos filhos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MORRE O ESCRITOR PORTUGUÊS JOSÉ SARAMAGO


Morreu nesta sexta-feira (18) em Lanzarote (Ilhas Canárias, na Espanha), o escritor português José Saramago, aos 87 anos. Em 1998, Saramago ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa.

A Fundação José Saramago confirmou em comunicado que o escritor morreu às 12h30 (horário local, 7h30 em Brasília) na sua residência dele em Lanzarote "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".

O escritor nasceu em 1922, em Azinhaga, aldeia ao sul de Portugal, numa família de camponeses. Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura trabalhou como serralheiro, mecânico, desenhista industrial e gerente de produção numa editora.

"Ser comunista é um estado de espírito", disse José Saramago
Começou a atividade literária em 1947, com o romance Terra do Pecado. Voltou a publicar livro de poemas em 1966. Atuou como crítico literário em revistas e trabalhou no Diário de Lisboa. Em 1975, tornou-se diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. Acuado pela ditadura de Salazar, a partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor.

Em 1980, alcança notoriedade com o livro Levantado do Chão, visto hoje como seu primeiro grande romance. Memorial do Convento confirmaria esse sucesso dois anos depois.

Em 1991, publica O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português - o que leva Saramago a exilar-se em Lanzarote, onde viveu até hoje.

Entre seus outros livros estão os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Todos os Nomes (1997), e O Homem Duplicado (2002); a peça teatral In Nomine Dei (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos Cadernos de Lanzarote (1994-7).

O livro Ensaio sobre a Cegueira (1995) foi transformado em filme pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles em 2008.

A primeira biografia de Saramago, do escritor também português João Marques Lopes, foi lançada neste ano. A edição brasileira de "Saramago: uma Biografia" chegou às livrarias no mês passado, com uma tiragem de 20 mil exemplares pela editora LeYa.

Segundo o autor, Saramagou chegou a pensar na hipótese de migrar para o Brasil na década de 1960. "Em cartas a Jorge de Sena e a Nathaniel da Costa datadas de 1963, Saramago considera estes tempos em que escreveu e reuniu as poesias que fariam parte de 'Os Poemas Possíveis' como desgastantes em termos emocionais e chega mesmo a ponderar a hipótese de migrar para o Brasil. Esta informação surpreendeu-me bastante, pois não fazia a mínima ideia de que o escritor chegara a ponderar a hipótese de emigrar para o Brasil e por a mesma coincidir com o período da história brasileira em que esteve mais iminente uma transformação socialista do país", disse Lopes em entrevista à Folha.com.

Após lançamento da biografia, Saramago classificou a obra como "um trabalho honesto, sério, sem especulações gratuitas".

Ajuda ao Haiti
Saramago relançou em janeiro deste ano nova edição do livro A Jangada de Pedra, que tem toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti. O relançamento da obra foi resultado da campanha "Uma balsa de pedra a caminho do Haiti", que do integralmente os 15 euros que custará o livro (na União Europeia) ao fundo de emergência da Cruz Vermelha para ajudar o Haiti.

Em nota, Saramago havia explicado que a iniciativa é da sua fundação e só foi possível graças à "pronta generosidade das entidades envolvidas na edição do livro".

VESSILLO MONTE



Belíssima crônica escrita pelo Jornalista Lira Neto, no Jornal O Povo(18/06/2010) sobre o Fantástico Vessillo Monte.

Eu conheço um gigante

Avesso a qualquer espécie de convencionalismo, politicamente incorretíssimo, inimigo número um do bom-mocismo, contestador profissional, o cinquentão Vessillo Monte hoje pode ser confundido, pelos mais desavisados, com um sujeito de maus-bofes, um troglodita, mitômano, a mais intolerável e intolerante das criaturas

Lembro do dia em que um sujeito, pós-doutor, professor de uma universidade federal, entrou furibundo em minha sala. Vinha bufando. Parecia um possesso. Diante de minha mesa de editor, ele brandia os originais do texto que escrevera para uma coletânea de artigos acadêmicos que iríamos publicar em forma de livro. O material havia sido devolvido a ele pela editora no dia anterior, como de praxe, para que aprovasse e tivesse ciência de todas as padronizações e correções gramaticais sugeridas pelo pessoal da revisão.

Olhei de relance para as páginas que o professor sacudia no ar e vi que elas estavam, de cima a baixo, rabiscadas de caneta vermelha. O revisor fora minucioso, compreendi. "Quem fez isso no meu texto?", gritava o arrebatado professor. "Quem se atreveu?", cobrava-me explicações.

Pedi que sentasse, mandei vir água e cafezinho. Então folheei aquelas cerca de duas dúzias de páginas, escritas no mais inconfundível jargão acadêmico. Percebi de imediato o motivo de tanta fúria. Além das habituais questões de gramática e estilo, o revisor apontara uma série de graves imprecisões históricas que comprometiam sobremaneira o conteúdo do texto. O conceituado professor, uma sumidade entre os pares, sentira-se agredido. "Quem esse revisorzinho pensa que é?", exaltava-se. "Ele por acaso é historiador? Qual a titulação dele?", indagou.

Como eu já estava acostumado àquele tipo de cena, sugeri que o professor fosse conversar pessoalmente com o próprio revisor, que estava sentado logo ali na sala ao lado, separada da minha apenas por uma parede de vidro. Ele foi. Saiu soltando faísca pelo caminho. Pela vidraça, acompanhei o resto do drama. Pareciam dois peixes briguentos, barbatanas eriçadas, dentro de um aquário.

Olhei o relógio. Uma hora depois, ele e o revisor ainda conversavam. Mas, como eu previra, o professor foi paulatinamente se acalmando. Passou a ouvir, mais do que falar. Porque já era próximo do meio-dia e parecia reinar a calma na sala ao lado, saí para almoçar. Quando voltei, duas horas depois, os dois permaneciam lá, agora conversando animadamente. Por causa do vidro espesso, eu não podia escutar o que diziam, mas pelos respectivos semblantes sabia que haviam chegado a bom termo. Ao final, o professor retornou à minha sala. "De onde saiu esse cara que trabalha aí ao lado?", indagou-me, com incontido entusiasmo. "O cara é um gigante!", definiu. O "gigante" em questão havia convencido não só o pós-doutor a reescrever o texto, mas ainda lhe sugerira bibliografia mais robusta e também um novo enfoque para certas passagens do trabalho original. O nome do gigante era Vessillo Monte.

Já falei dele aqui, uma ou duas vezes, nestas minhas despretensiosas crônicas semanais. Mas nunca considerei o bastante. Para fazer-lhe a devida justiça, eu sempre quis assim, uma crônica inteira só para ele. Aliás, a história de Vessillo Machado Monte daria um livro. Talvez, quem sabe, uma biografia em vários volumes. Vessillo é uma dos caras mais brilhantes que já conheci em toda a minha vida. O mais presepeiro, o mais iconoclasta, o mais desabusado também.

Tive a sorte de conhecê-lo quando eu ainda era um jovem recém-chegado à faculdade. Ali, Vessillo já era o dono do pedaço. Ele era aluno do curso de História, mas frequentava como ouvinte outros cursos também, pelo simples prazer de travar intermináveis pugnas intelectuais com os professores, saindo-se sempre vitorioso de todas as contendas. Sua enorme versatilidade fazia-o dissertar, por horas, sobre literatura, filosofia, história, artes e, também, sobre uma de suas maiores paixões, a música de Noel Rosa.

Vessillo sempre teve uma dessas inteligências vastas, ecléticas e luminosas, como as que não se encontram mais hoje em dia, nesse mundo de especialistas. Àquela época de estudantes, uma vez, testemunhei um professor medalhão do curso de Letras, professor de teoria literária, chamá-lo a um canto após a aula e implorar-lhe para que nunca mais aparecesse ali, pois temia estar se desmoralizando diante do resto da turma. Vessillo acabou dando uma banana para a faculdade e tratou de continuar sendo o autodidata que sempre foi. Sua biblioteca de estudante era uma das mais espantosas nas quais eu já havia batido o olho até então.

A esse tempo, além de tudo, Vessillo era um homem bonito. Vi dezenas de mulheres lindas, justamente as garotas mais cobiçadas de toda a universidade, atirarem-se sôfregas a seus pés. No boteco ao lado do campus, turmas inteiras de marmanjos e donzelas pagavam-lhe noitadas homéricas de cigarro e cerveja, só para vê-lo declamar poesia e para ouvi-lo contar as histórias mirabolantes de suas muitas aventuras amorosas. A maioria das quais, aqui, impublicáveis.

Avesso a qualquer espécie de convencionalismo, politicamente incorretíssimo, inimigo número um do bom-mocismo, contestador profissional, o cinquentão Vessillo Monte hoje pode ser confundido, pelos mais desavisados, com um sujeito de maus-bofes, um troglodita, mitômano, a mais intolerável e intolerante das criaturas. É verdade que realmente ninguém sabe ser, quando quer, tão desagradável e irascível quanto ele. Fala alto, solta palavrões cabeludos a três por dois, descuidou-se da aparência física. Mas, para quem o conhece a fundo, sabe que na verdade ele é um lord vestido na falsa pele de cão hidrófobo.

Desde que o conheço - e lá se vão cerca de trinta anos - Vessillo tem sido sempre um dos leitores prévios de qualquer livro que publico. Tudo o que escrevo passa obrigatoriamente por seu crivo rigoroso. Ele tem sempre uma extraordinária sugestão a dar, uma necessária correção de rumo a fazer, um imperativo puxão de orelha a providenciar.

Certa vez, por alguns breves instantes, botei o olho nos manuscritos do livro que Vessillo diz escrever há pelo menos vinte anos. Por vezes, as "Crônicas do Céu e do Inferno", de Vessillo Monte, me fazem lembrar "Uma história oral do nosso tempo", a obra monumental que Joe Gould jurava estar escrevendo para Joseph Mitchell. A diferença é que o livro de Vessillo existe, assim creio eu; o de Gould, não.

Fortaleza nem imagina que tem um gênio perambulando anônimo por suas ruas calorentas. Ele não dirige, não toma táxi, não gosta de andar de ônibus. É um andarilho contumaz, por isso pode ser visto, suando em bicas pela avenida 13 de Maio, sempre com um livro ensebado debaixo do braço, a cabeça quase careca fervilhando de ideias sob o sol, o desaforo pronto na língua para qualquer transeunte que se ponha no caminho. Já foi atropelado, entrou em brigas, perdeu os dentes, a família quis interná-lo em hospício, tem parafusos de metal na perna reconstituída em uma mesa de cirurgia.

Se cruzarem com ele, não o tenham na conta de um lunático, um simples boêmio errante, uma alucinação em forma de gente. O nome dele é Vessillo Monte. E, saibam, ele é mesmo um gigante.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

"DO AMOR E OUTROS DEMÔNIOS" NO CINE CEARÁ



20º CINE CEARÁ EXIBIRÁ EM SUA ESTRÉIA

DO AMOR E OUTROS DEMONIOS / DEL AMOR Y OTROS DEMONIOS
Hilda Hidalgo. Ficção. 35mm. 97 Min. Cor. Costa Rica/ Colômbia. 2009

Numa época de inquisição e escravidão, Sierva Maria quer saber a que sabem os beijos. Ela tem 13 anos, é filha de marqueses e foi criada por escravos africanos na Cartagena de Índias colonial. Quando um cachorro com raiva a morde, o Bispo acredita que está possuída pelo demônio e ordena Cayetano, seu pupilo, que a exorcize. O Padre e a menina serão seduzidos por um demônio mas poderoso que a fe e a razão. Com um olhar pessoal e intimista, e uma linguagem que lembra as pinturas da Renascença, “Do amor e outros demônios” conta uma das mais provocadoras histórias de amor de Gabriel García Márquez.

HILDA HIDALGO: Cineasta costarricense, formada como diretora pela Escola Internacional de Cine e TV de Cuba, tem escrito e dirigido meia duzia de curtas de ficção e documentários em Costa Rica, Itália, França, Bután, Benin e os Países Baixos. No documentário tem trabalhado temâticas sociais, de gênero e desenvolvimento sustentável. Suas histórias de ficção tratam sobre o desejo, a sensualidade e o onírico. Do amor e outros demônios é seu primeiro longa metragem. Atualmente trabalha no roteiro do seu próximo filme Estação violenta. Suas produções tem participado em festivais de Turquía, Cologne, Cuba, Cartagena, Rímini, Creteil, Amsterdam, San Francisco e Chicago, entre outros.

PIMENTAS

Quando ela apontou pra mim
percebi que seu dedo era de moça.
Vermelha e insinuante.
E me indagava se quando a penetrava
sentia em meus lábios
a dor do amor picante.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ABRA A BOCA

Não.
Definitivamente não quero exaltar o silêncio.
Sei que sou quieto, falo pouco, sou guardado dentro de escolhidas palavras.
Mas isso não significa que conclamo a todos que se calem. Não faço apologia ao silêncio.
Pelo contrário.
Existe um grito pensante dentro de cada um de nós que deve ser comunicado ao mundo.
Vai lá.
Fala.
Grita.
Dá um Berrinho ou até um sussurro.
Mas não deixe passar a oportunidade de dizer o que se quer dizer.
Talvez assim, possamos colaborar para a desconstrução de determinados valores e medos. E para o surgimento de novos caminhos e perpectivas.
Fique à vontade.
Abra a boca e...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ELETROCACTUS NO TJA

THEATRO JOSÉ DE ALENCAR - 100 ANOS



No começo do século XX, o Theatro José de Alencar foi desejado como um atestado de civilização e modernidade para Fortaleza. Um grande teatro que colocasse a cidade na rota de solistas e companhias internacionais de ópera que chegavam a América do Sul, com suas óperas e concertos. Cem anos após, a ocupação da casa se dá de forma inversa: o TJA centenário em 2010 é o espaço de encontro entre a produção artística do Ceará e circuitos de produção da cena internacional. Ao longo do mês de junho, 117 grupos e solistas “pratas da casa” se abrigam no primeiro centenário Theatro e no seu entorno.
117 é um número significativo a contar que há 100 anos no dia 17 de junho de 1910 nascia em Fortaleza um dos seus principais palcos. Os solistas e coletivos artísticos do Ceará (música, artes visuais, teatro, dança) vão entrar em cena diariamente às 18h na calçada. A ocupação marca território e amplia as atividades do Theatro para a Praça José de Alencar. O TJA também funcionará no mês do seu aniversário de segunda a domingo, com visitas guiadas de hora em hora gratuita.
Ao longo desta trajetória, o TJA se consolida como palco de usos e ocupações das mais distintas: uma escola livre de artes cênicas, um ponto de encontro da cidade, um jardim público, um lugar de conferências, convenções de partido político, moradia, cenário de casamento, quermesse e bailes de carnaval. Mantido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, é considerado um dos mais belos teatros monumentos do País com sua estrutura de ferro trazida da Escócia, sala de espetáculo para 800 pessoas e jardim público projetado por Burle Marx. No Ceará, foi nomeado para homenagear o grande romancista do Ceará.
No dia 17 de junho, dia do aniversário, a ocupação começa às 8h da manhã, com um grande festejo popular na Praça José de Alencar. Serão 60 coletivos na Praça, que se misturam aos visitantes e transeuntes nos festejos que comemoram a passagem do primeiro centenário. Bandas de música, circo, bois, quadrilhas juninas, atores, grupos de teatro, todos reunidos e recebendo o público com esquetes, performances e apresentações. A temática da programação na Praça será as festas e folguedos populares juninos, quando a programação intensa se ocupa dos espaços cênicos.
A programação completa está no site da secult:
www.secult.ce.gov.br

terça-feira, 8 de junho de 2010

EDITAL DO PRÊMIO MAIS CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL 2010 - EDIÇÃO PATATIVA DO ASSARÉ



O Ministério da Cultura, por iniciativa da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura da Secretaria de Articulação Institucional, e o Banco do Nordeste anunciam o lançamento nacional do edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré que contemplará 200 iniciativas vinculadas à criação, produção, pesquisa, difusão da literatura de Cordel e linguagens afins.
O anúncio será feito durante a entrega de Prêmios do Edital dos Microprojetos Mais Cultura aos selecionados da região do Cariri Cearense e contará com apresentação de renomados artistas populares do Nordeste.
O evento ocorrerá no dia 08 de junho, às 18h, no Centro Cultural BNB Cariri, em Juazeiro do Norte (CE), situado à Rua São Pedro, 337, Centro.
Informações detalhadas em MAIS CULTURA.

CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA

Fortaleza realiza eleições para o Conselho Municipal de Política Cultural

Serão eleitos 21 conselheiros da sociedade civil organizada que irão, juntamente com o poder público, propor políticas públicas para a Cultura no município

Fortaleza vivencia a partir da próxima segunda-feira (7) um novo momento para a Cultura da Cidade. É nesse dia que terão início as inscrições para o cadastro cultural que permitirá o lançamento de candidaturas para as eleições de representantes da classe artística e sociedade civil que irão compor o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), constituído pela lei municipal 9.501, de 2009. As pessoas interessadas em participar devem se inscrever até 7 de julho, preenchendo uma ficha disponível no portal da Prefeitura de Fortaleza (www.fortaleza.ce.gov.br) ou no site da Secretaria de Cultura de Fortaleza (www.fortaleza.ce.gov.br/cultura). Quem preferir, pode encontrar as fichas também na sede da Secultfor (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro) ou nas Secretarias Executivas Regionais, onde os formulários devem ser entregues, de 8h às 12h e de 13h às 17h.

O Conselho é um órgão colegiado, integrante do Sistema Municipal de Cultura, cuja principal missão é fiscalizar e elaborar políticas públicas para a Cultura de Fortaleza, por meio da articulação e do debate entre os diferentes níveis de governo e a sociedade civil organizada, visando o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais em âmbito local. “O momento é histórico porque a população de Fortaleza torna-se protagonista do processo de construção das políticas públicas voltadas para a Cultura. O Conselho irá promover uma gestão democrática e autônoma da Cultura no município”, explica a secretária de Cultura de Fortaleza, Fátima Mesquita.

Entre outras funções, são competências do CMPC elaborar, acompanhar e avaliar a execução do Plano Municipal de Cultura; fiscalizar, acompanhar e avaliar a aplicação dos recursos provenientes do Município no processo de fomento à cultura; apoiar os acordos para a implantação do Sistema Municipal de Cultura; e incentivar a participação democrática na gestão das políticas e dos investimentos públicos na área da cultura.

Para escolher os representantes da sociedade civil e da classe artística que irão fazer parte do Conselho, a Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), de acordo com a Lei que cria a CMPC, realiza uma eleição que irá envolver toda a cidade. O primeiro momento do processo eleitoral é a inscrição no cadastro cultural de Fortaleza até 7 de julho. A segunda etapa é o registro de candidaturas que irá ocorrer de 23 de julho a 2 de agosto, em dias úteis, de 8h às 12h e de 13h às 17h, na sede da Secultfor. A eleição será realizada no dia 15 de agosto, em um único local, a ser divulgado posteriormente.

RENEGADOS



Vale a pena conferir "Show 11/06 no Dom Caixote Bar, 21h. Joaquim Nabuco, 2260 + Reprise do PROGRAMA CENA ROCK na TVC 09/06 às 20h.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

REPÚDIO A INTOLERÂNCIA



Matéria do Jornal Diário do Nordeste(28/05/2010)por Dawlton Moura

Atores da peça Rãmlet Soul, encenada esta semana no TJA e nas proximidades do espaço, denunciam ter sido agredidos por policiais durante o espetáculo

No movimento da praça, ao cair da noite, a realidade invade a cena. Defendendo a proposta de estender à praça o espaço cênico habitualmente contido entre as paredes do teatro, procurando instigar novas leituras quanto a ambos os cenários, atores denunciam ter sido confrontados com a (dura) verdade das ruas. Teriam experimentado a mesma realidade com que tantas vezes os moradores da metrópole têm de lidar no dia-a-dia: incompreensão, truculência e abuso de autoridade por parte de policiais. De insultos e manifestações de preconceito a ameaças e agressões.

A denúncia é do grupo de dramaturgos e atores responsáveis pela peça "Rãmlet Soul", reconhecida em premiações promovidas pela Prefeitura de Fortaleza e pela Fundação Nacional das Artes. Segundo os artistas, na última terça-feira a praça José de Alencar, onde ao longo da atual temporada a primeira parte do espetáculo foi encenada, transformou-se em palco de agressões de policiais contra atores. "Foi uma cena horrível de espancamento de atores em plena praça José de Alencar, sob conivência e estímulo de policiais militares", afirma Rodrigo Oliveira, da produtora Tembiú.

Segundo o diretor do espetáculo, Thiago Arrais, em depoimento encaminhado ao Caderno 3, os artistas sofreram violência física e verbal, durante a apresentação de terça, na praça. "Os atores Junior Barreira, Saymon Moraes e Sol Mouffer foram agredidos e o ator George Alexandre e o músico Saulo Raphael, ameaçados", afirma Arrais. "Inicialmente, os PMs abordaram os atores de modo truculento, abusivo e confrontador, alegando que não podiam estar na rua, interpretando seus papéis de michês, apenas de toalha, o que configuraria ´atentado ao pudor´", conta o dramaturgo, ressaltando que nas apresentações anteriores no próprio entorno do Theatro José de Alencar e no Mocó Estúdio, na Praia de Iracema, nenhum problema do tipo foi registrado.

Agressão

"Os policiais exigiram que os atores se retirassem da praça, onde a peça iniciava a penúltima apresentação desta temporada. Os atores reivindicaram por seu direito de trabalho em espaço público. Os PMs, cada vez mais agressivos, insistiram que aquilo não era trabalho, mas sim ´sem-vergonhice´", acrescenta Arrais, informando ter registro em vídeo, a ser disponibilizado na Internet, de policiais "aglomerando transeuntes da praça em torno dos atores, em mobilização contra o elenco".

"Armados de porretes e de facas, os agressores aplicaram socos, tapas e pontapés nos atores Junior Barreira e Saymon Morais. Dois outros atores da peça, Yasmin Elica e Jhon Jonas, presenciaram o momento em que o policial instigou tal agressão. A atriz da peça, Sol Mouffer, também próxima da confusão, em cena que carrega uma pedra na mão, foi agarrada pelo braço por um dos policiais", afirma Thiago, citando que o ator Junior Barreira, ao ter solicitado proteção a um policial, teria ouvido como resposta: "Defender você? Não estou aqui pra lhe defender. Isto que você faz é uma baitolagem. Você mereceu".

Falando ao Caderno 3, Arrais destacou a reação que teria sido despertada nos policiais pelos atores que interpretavam michês. Porém, segundo o diretor, estavam claros os limites entre interpretação e realidade.

"Havia um incômodo de ordem moral, algo nesse sentido, porque os autores estavam de toalha, numa postura de deboche típica do papel que estavam cumprindo ali, aquela coisa do michê, na rua...", ressalta. "Mas aqueles policiais que agrediram já acompanhavam a temporada, já sabiam o que se passava na peça. Estava muito claro que aquilo ali era teatro".

Incentivo a ameaças

Para garantir a apresentação da peça na quarta-feira, último dia da temporada, a direção do TJA solicitou reforço policial. A medida foi tomada em decorrência de ameaças contra os atores, feitas também por pessoas que frequentam a praça e que teriam, segundo o elenco, sido incentivadas pelos policiais militares a agir com agressividade contra os artistas.

"A apresentação de quarta aconteceu sem maiores transtornos", reconhece o diretor. "Mas de uma forma estranha, com a polícia ali fazendo a escolta. Uma situação estranha, para uma peça que ao longo da temporada só fez contribuir para que muita gente da praça visitasse o teatro pela primeira vez".

TJA: peças vão continuar

Lamentando os acontecimentos da última terça-feira, mas situando-os em um contexto maior, de "um cenário de vulnerabilidade vivido em toda a cidade", a diretora do Theatro José de Alencar, Izabel Gurgel, promete dar sequência aos espetáculos que utilizam o espaço externo ao equipamento, principal palco das artes cênicas cearenses. "Vamos intensificar essas ações que a gente vem fazendo pra ocupar e cuidar do entorno do teatro, ocupar artisticamente a praça. Agora, a gente reafirma ainda mais essa necessidade", diz Izabel, que conta ter levado o caso à Polícia, juntamente com os atores, ainda na noite de terça-feira.

"Fomos à delegacia, ao 2º distrito, e fomos bem atendidos. Mas não conseguimos fazer o boletim de ocorrência, porque fomos informados do movimento grevista dos escrivães", afirma a gestora, citando que, além de solicitar proteção policial para os atores durante o espetáculo de quarta-feira, encaminhou um comunicado sobre o caso aos secretários de Cultura, Auto Filho, e Segurança Pública, Roberto Monteiro. "O secretário Roberto Monteiro ontem nos respondeu informando que o caso será encaminhado à Corregedoria", acrescenta Izabel. "É importante discutir a situação dos cidadãos como um todo. A agressão foi feita a um artista, um trabalhador, na hora em que tava fazendo o trabalho dele, mas sobretudo a um cidadão".

"Sem reclamação formal"

Segundo o setor de Relações Públicas da Polícia Militar, o major Marcelo Praciano, comandante da 5ª Cia. do 5º Batalhão, responsável pela área, ressaltou que disponibilizou o efetivo solicitado pelo Theatro na quarta-feira, mas que não recebeu "uma reclamação formal" sobre os acontecimentos de terça. "Se receber, certamente vai apurar e divulgar o resultado da apuração", declarou o major Marcos Costa. (DM)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS



O Segredo dos seus olhos,(El Secreto de Sus Ojos/2009), filme hispano-argentino de Juan José Campanella, mesmo diretor do encantador O Filho da Noiva, mostra através de um drama/suspense aquilo que realmente somos feitos, que carregamos por toda vida: Nossa Paixão. Filme de ótimas tomadas e excelente texto.

terça-feira, 25 de maio de 2010

SABER O QUE NOS TOCA...



Há uma pequena melodia para ser tocada
dentro da barulhenta valsa do dia-a-dia.
Há um verso de beleza que nos clama a alma
para que a vida não se acabe em monotonia.

Meu pequeno músico é meu grito de gigante
que acorda a vizinhança em rebeldia
invandindo o timpano do intolerante,
pedindo ao mundo:TOQUEM, POR FAVOR MAIS ALEGRIA!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

DEVAGAR

Queria ser bailarino
pra costurar no meu corpo fino
a margarida dançante que vi no teu olhar...

Ela era magrinha
parecia só uma linha
mas tudo me dizia
com a pétala amarelinha do desejar...

terça-feira, 18 de maio de 2010

DO CORAÇÃO



Minha Li.

DO PEITO

O Tempo passa e a nossa cara de menino vai aparecendo,
nosso olho de menino vai escurecendo,
nosso destino vai se enlaçando e se envolvendo,
a nossa semelhança vai aumentando e o nosso amor "meninocendo"...



sexta-feira, 23 de abril de 2010

MARIA DAS DORES

A Mateus da Silva

Sinto uma dor que não é minha
E depressa penso em bilhetes
Falsetes
Manobras para enganar o futuro.

Toda dor é antes de tudo
Incompleta
Absurda
Forjada em medo na siderúrgica.
Toda dor é sentida
nos dentes
e nas unhas.
Não há outro lugar em que doa
Senão no sono
que impacientemente me soa
Feito a donzela do conto.

Sinto uma dor
Que não devia
Curtumes fechados pela sanidade pública
Vendiam tão fácil meu couro
enquanto os sociólogos
vendiam suas táticas de guerra.
Torturadores de favela
Traficantes de sonhos
Meninas grávidas aos treze...
As dores deviam ter nome?

Dormir é mais morrer
Quando se deita na fria escadaria
Ou quando na penitenciaria
Alguém não gosta da comida
Como gostaria?
E as vísceras coçam
Como coçam os dedos naquela mulher
Maria das Dores
Pele de boi
Noite de amores
Embriagues a favor
Maconha a dar com o pau
Também é dor...

E sem mais demora
Ainda não sei
Se cá dentro
Ou lá fora
A dor que sinto é melhora
é antípoda da aurora
Sinistra patente
Pra elevar a gente
a condição da última hora.

ÚLTIMO ACORDE

Se eu morrer
Não me esqueça
Que a morte envelheça
Esperando por mim.
Se tudo é partida
Levo comigo a ferida
Dos desencantos que vivi.

Nem o tempo
Ou o acaso
Pode trazer o abraço
Das saudades que senti.
Se for triste a despedida
Lembre logo a mais bonita
Das revelações que te fiz.

Se eu morrer
Não me esqueça
Tua lembrança é a beleza
Que procuro no meu fim.
E se sorrires com paixão
No último acorde da canção
Serei eterno junto a ti.
(canção com Lenine Rodrigues)

LARANJAIS

Quando dentro dos meus olhos puderes ver
Laranjais famintos no campo do esquecimento
Espera a cada dia de um nefasto tormento
Como a erupção de um amor tardio,
E só então verás quão tamanha é a desolação dos poetas que preferem as rosas.

DIA MUNDIAL DO LIVRO



Fortaleza comemora Dia do Livro com atividades no Passeio Público

Na ocasião, será lançado o Programa Ler é Ter Direitos, política da Prefeitura para o livro e a leitura.
No mês em que festeja seu aniversário, Fortaleza comemora também com uma programação especial o Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral, celebrado em 23 de abril. As atividades serão realizadas no Passeio Público, patrimônio histórico e cultural da Cidade, tombado e mantido pelo Município. A programação começa às 8h30 e vai até o final da tarde, incluindo contação de histórias, oficinas, lançamento de concurso literário, espetáculo teatral, sarau poético e show musical.

Antes da programação no Passeio Público, a partir de 6h30, em vários locais da cidade, será realizada uma performance de leitura para chamar a atenção das pessoas para o Dia do Livro e a importância da leitura. Trinta poltronas e pufs serão espalhados em grandes avenidas de Fortaleza e, em cada uma delas, um ator estará fazendo a performance, despertando o interesse pela leitura das pessoas que transitam pelas ruas de carro, moto, bicicleta, ônibus ou a pé.

“O ator vai encenar as emoções que a leitura passa para ele à medida em que ele lê o livro. A ideia é que a pessoa que veja a performance construa um pensamento sobre a leitura e sobre o ato de ler como uma atividade instigante e prazerosa”, antecipa o coordenador de políticas de literatura, livro e leitura da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), Urik Paiva.

O objetivo de toda a programação do Dia do Livro é levar à população a mensagem de que ler é uma atividade que conduz à imaginação e ao pensamento crítico, além de trazer informação e crescimento social e reafirmar valores de memória e identidade cultural.

Esse, aliás, é um dos princípios da política para a literatura, o livro e a leitura da Prefeitura Municipal de Fortaleza que será oficialmente lançada durante a programação do dia 23. Com o nome de Programa Ler é Ter Direitos, a iniciativa representa uma pactuação entre a Prefeitura, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) e da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), e diversos parceiros nas áreas pública e privada, buscando mostrar à população que Fortaleza pode se tornar uma cidade de leitores.

Soma-se a isso o lançamento da primeira edição da Feira do Livro Infantil de Fortaleza, criada e organizada pela Editora Casa do Conto e que recebe o apoio de diversas empresas e instituições. A Feira do Livro Infantil de Fortaleza é um evento de cunho cultural com o objetivo de promover a literatura infanto-juvenil, com a participação de editoras de todo país ou seus representantes. Será realizada na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, no período de 15 a 18 de setembro de 2010. Haverá sessões de autógrafos, palestras e debates com autores e ilustradores, saraus literários e contação de histórias para crianças e toda a família.

O Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral foi criado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 1995. Desde então, ele vem sendo celebrado em todo o mundo no dia da morte de William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês e autor de obras como Hamlet e Rei Lear; e de Miguel de Cervantes (1547-1616), conhecido pelo romance Dom Quixote.

Programação - Dia 23

Performance de Leitura
6h30 às 8h – Atores encenam leitura em 30 pontos da Cidade
Locais: Av. Desembargador Moreira (Praça Portugal), Av. Antônio Sales (próximo à Praça da Imprensa), Av. da Universidade (próximo à Biblioteca Pública Municipal Dolor Barreira), Av. Treze de Maio, Av. Abolição, Av. Pontes Vieira.

Passeio Público
8h30 - Contação de Histórias, com Júlia Barros: Contos da Rua Brocá
9h - Oficina de Criação Literária, com o escritor Kelsen Bravos
9h - Oficina de Desenho, com o ilustrador e escritor Rafael Limaverde
9h - Oficina de Fanzine, com Jéssica Gabrielle
9h - Intervenções de Arte Urbana, com o grupo Liquidificador sem Tampa pelo Passeio Público; e distribuição de fanzines
10h - Lançamento do Concurso Literário Peter Rohl, da Câmara Cearense do Livro
14h - Oficina de Criação Literária, com Kelsen Bravos
14h - Oficina de Desenho, com Rafael Limaverde
14h - Oficina de Fanzine, com Jéssica Gabrielle
14h - Oficina Construindo Painéis Literários, com Sílvia Montenegro
14h - Intervenções de Arte Urbana, com o grupo Liquidificador sem tampa, pelo Passeio Público; e distribuição de fanzines
15h - Peça Teatral Cia. Prisma de Artes − Direção Raimundo Moreira
16h - Lançamento da Feira do Livro Infantil de Fortaleza e do Programa Ler é Ter Direitos
16h30 - Sarau poético com Grupo Remix
18h - Show de Paula Tesser e Valdo Aderaldo

:: SERVIÇO
Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral
– Dia 23, a partir das 8h30, no Passeio Público (Rua Dr. João Moreira, s/n – Centro, ao lado da Santa Casa de Misericórdia).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

NA BIENAL DO LIVRO...

DIA 17/04 - SÁBADO
Lançamento: 2ª Coleção PAIC, Prosa e Poesia (SEDUC)
Café Literário O Galo de Ouro (Sala A Inferior) | 19h - 22h | Lançamento & Bate-Papo/SEDUC

Contando com a presença dos autores e ilustradores desta 2ª Coleção.
Entre os livros, está "O SÁBIO ARATU DE SABIAGUABA", em parceria com o camarada Carlus Campos.

*Oswald Barroso: O QUE ME CONTARAM SOBRE O TITANZINHO

Contaram-me que os moradores do Titanzinho darão graças a Deus quando o estaleiro der um fim à sua praia porque, sendo pobres e analfabetos, pouco estão ligando para a paisagem, embora ali o mar tenha peixes fartos e as melhores ondas para surfar de todo o Brasil. Pouco se importam também, disseram-me, que um paredão se instale entre eles e a praia, porque se pode passar muito bem sem jogar bola ou mesmo sem correr pela areia, tomar uma cerveja, olhar a lua, o pôr do sol, tomar uma brisa, fazer qualquer coisa, desde que se tenha grana no bolso, emprego seguro, como promete um bom estaleiro. Contaram-me, inclusive, que eles concordam, até mesmo, em dissolver a comunidade se for necessário, empestada de funkeiros, ladrões e traficantes. Um estaleiro os livraria dos bandidos e vagabundos.
Em outra ocasião, deram-me o exemplo de um estaleiro que, chegando numa praia parecida com aquela, gerou emprego e renda, transformando de tal modo a vida do povo que muitos de seus habitantes, em pouco tempo, já possuíam automóvel. Pareciam arautos de Deus, reunidos em uma assembléia do Olimpo, esses que falavam envergando paletós. Munidos de números e palavras técnicas, despejavam argumentos, demonstravam absoluta convicção no que diziam, embora alguns deles fossem ainda muito jovens. Como se tratava de grave questão e houvesse resistência, pois afinal não se condena todo dia uma praia com sua cultura ao desaparecimento, a maioria lavou as mãos e passou a responsabilidade aos técnicos. Caberia à ciência, essa nova religião, a palavra final. Os órgãos responsáveis pelo meio-ambiente dariam a palavra final. Assim estaria garantida a assepsia e a neutralidade da decisão, embora não estivessem esquecidas de todo as manchetes nos jornais dando conta de casos graves de corrupção comprometendo decisões e laudos técnicos dos citados órgãos.
No sábado fui visitar o Titanzinho. Ver para crer, ouvir com meus próprios ouvidos. Levei uma caderneta e uma máquina fotográfica. Voltei a ser repórter. Fui direto ao assunto. Anotei primeiro o que estava escrito em um muro de frente à praia. Tinha tudo a ver: “Contaram-me que os peixes não se importam de serem pescados, pois tem o sangue frio e não sentem dor. Mas não foi um peixe que me contou isso.” Havia um recital de poesia promovido pelo Grupo Chocalho com a participação de rappers locais. Alguns contaram em versos a história das lutas dos moradores para não serem despejados do Bairro Serviluz. Outro falou a propósito da ameaça da instalação do estaleiro na praia do Titanzinho: “Querem arrancar um pedaço do meu coração!”
As pessoas comentavam desconfiadas as promessas de emprego e renda advindas do estaleiro. Anotei uma fala: “- Quando construíram este porto aqui, com todas essas empresas, também prometeram emprego para o povo do bairro.” A propósito, o estaleiro citado acima, gerador de tantas maravilhas, fica em Pernambuco, em zona rural bem distante do Recife, local apropriado, portanto, longe dos centros urbanos, lugar bem diferente de um “santuário” da cultura praieira, como o Titanzinho.
Lourdes Macena, presidente da Comissão Nacional do Folclore, contou-me que Tita Tavares, depois de conquistar algumas medalhas internacionais no surf, recebeu em sua casa a visita de uma jornalista, que comentou: - Tita, agora você poderá sair do Titanzinho e ganhar o mundo! - Como, se todo o meu mundo está aqui?! Ela respondeu.
O povo do Serviluz não pode abrir mão de seu mundo. O Titanzinho é patrimônio natural e cultural da cidade. É chão sagrado, é mar sagrado, onda de Tita Tavares e de outros Titãs. É tesouro vivo de Fortaleza. A lógica da economia não pode justificar sua destruição.
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* Oswald Barroso é jornalista, professor, poeta e teatrólogo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poesia com Água de Quartinha.

No dia 21 de janeiro, tive o prazer de apresentar e interpretar algumas poesias no show da banda Água de Quartinha no SESC Emiliano Queiroz, em Fortaleza. Foi muito bom e a energia de todos foi transformada em poesia para saciar e embriagar a alma. Obrigado pelo convite, zé rodrigues. As fotos abaixo são do Hélio Creston e Li Mendes. Ah, e quem quiser ver o vídeo completo da poesia "O Romance da Lua com o Mar", é só procurar no youtube. Grande abraço.


Pense num buraco...

A paisagem é maravilhosa! Impressionante mesmo! E ainda mais com esta gatinha empatando a visão, mas tudo bem. O problema meus camaradas é o trajeto até lá, ainda mais se o cabra for um abestado como eu que foi de cavalo(tava mais pra pé de pano). Não tem buraco que aguente!!!


À frente, Rocinante!!!!!