sexta-feira, 22 de julho de 2011

QUANTO VALE UMA CANÇÃO?



Hoje no Teatro das Marias, às 20:00h. QUANTO VALE UMA CANÇÃO? Com Ângela Linhares, Gigi Castro, Marcus Rocha, Dedé Paixão e Francélio Figueredo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

ELIPSE GIGANTE

Brinque felipe
de elipse gigante!
Arrisque, petisque
uma esfirra brincante.
Na grande roda
onde mora uma briba falante,
que dança, que grita:
"Me respeite, não sou lagartixa,
sou ainda mocinha
nessa parede tão grande!"

Francélio Figueredo
31.05.2011

IRMÃOS

Sou feito do ferro da casa,
da chaleira da alma,
do cangaço do abraço,
do sonho dos meus irmãos.

Navego mal feito
Pelo leito do rio
Redesenhando o caminho
Pra reencontrar os meus.

Tenho um irmão feito de aço
Que é forte, que é caminhão
Que traz no sorriso um menino
Banhado no óleo do coração.

Sou feito do chamego da massa,
Do suor da viagem,
Do canto mais sagrado,
Da poesia do sertão.

O mais velho nasceu da alegria,
Colhida de manhã ao pé do morro,
Feito do dindin da fantasia
Pra dar sabor ao que há de novo.

Sou feito da leseira do destino,
Da prequiça do amor,
Do jeito estranho que a vida arranjou
Pra cantar essa canção.


Francélio Figueredo.
07.04.11

domingo, 30 de janeiro de 2011

BLOCO CANTO DA LADEIRA!



Festa de Lançamento do Bloco CANTO DA LADEIRA - Sábado dia 12 de Fevereiro no Bar Toca do Plácido - Rua Castro Alves - Joaquim Távora. A partir das 16hs...Venha com seu samba e sua fantasia! Contatos: Lenine: 9951-4280.
Com repertório puramente autoral! traga seu samba, sua marchinha, seu som!!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SILVIO SANTOS VEM DAÍ...


Ricardo Guilherme
ESPECIAL PARA O POVO

Camelô eletrônico, mágico e falastrão feito o nosso homem da cobra, Silvio Santos vem aí. Em seu programa de TV, aquela passarela que se projeta do palco e penetra a plateia compõe-se como uma rua, reminiscência das ruas onde a genealogia de sua persona persiste a evocar os ambulantes, as gestas da feira, o vaivém das praças, germe e cerne das cidades.
Silvio Santos vem daí: do ziguezigue no labirinto de veredas entre as barracas e da algazarra dos pregões, gênese do comércio que o animador transfigura em patuscada. Esse carioca paulistano, filho de um grego judeu com uma turca, descende de vira-mundos, andarilhos mercadores, de expressiva lábia. Sua arte deriva da fala, artimanha dos mascates; origina-se do rastro deixado pelas andanças desses povos emigrantes nos quais ressoa a voz dos escambos. E assim a histórica mala de seus antepassados torna-se o trans-histórico baú (da Felicidade), aberto não no sábado - dia de resguardo religioso para os seus ancestrais - mas no domingo, fazendo dos telespectadores também fregueses, expectadores de uma promessa ante a Porta da Esperança.
Silvio Santos advém daí: da memória de almocreves, da fluência e da espetacularidade dos nômades comerciantes, premidos pelo frio ou curtidos ao sol. Clown descolorido, de paletó e gravata, sem a maquiagem, os trejeitos e os habituais apliques e adereços da persona palhaço, o cognominado “Peru Falante” consegue, apenas pela entonação, gesticulação e domínio do ritmo de sua locução, equacionar a ciência da prototípica comicidade que ratifica a tradição advinda dos artistas de rua. Transforma as legendárias “macacas de auditório” em mercenárias colegas de trabalho que “topam tudo por dinheiro” e com essas neo-Macabéas contracena, em “pegadinhas”, como se fosse o tradicional escada, aquele comparsa que no picadeiro prepara a piada ou a gag em uma dupla cômica.
Silvio Santos provém daí: dos feirantes de São Paulo, essa babélica maloca que se fez capital do Nordeste. E porque também somos de uma “provincianópole”, podemos por atavismo nos identificar com ele e reconhecer que Silvio Santos vem daqui, pois Fortaleza, cidade de mar emigrada do sertão, surgiu ao derredor da antiga Feira Nova, atual Praça do Ferreira, e preserva – ainda que à revelia de si mesma – os resquícios das xepas e a cepa dos “galegos” que batiam de porta em porta tentando vender aos nossos avós as novidades de tecidos e joias a crediário de carnê e cadernetas.

Talvez por isso é que a esse tele-bodegueiro o nosso olhar se entregue. Porque temos na massa do sangue o DNA de quem, sem carteira de trabalho, negocia e apregoa bugigangas: Ei, dona menina, se achegue. Aqui tem de tudo um tanto, toda e qualquer quinquilharia. Vem, vem. E é só se for agora, porque se o Silvio Santos vem aí, o rapa também vem.

Ricardo Guilherme é escritor, teatrólogo e produtor de televisão. É também professor de Teatro da Universidade Federal do Ceará e criador do Teatro Radical.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS



A Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH) e com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), realiza a Semana de Nacional de Direitos Humanos, que acontece entre os dias 3 e 7 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.


O evento tem o objetivo de fomentar a discussão sobre os direitos humanos na cidade de Fortaleza e dar subsídio à população nas questões que se referem ao direito da criança e do adolescente, do idoso, da pessoa com deficiência, da comunidade LGBTT, dos negros, índios e ciganos. O projeto tem o apoio ainda das secretarias de Cultura de Fortaleza (Secultfor) e do Governo do Estado do Ceará (Secult).


A programação da Semana conta com seminários, oficinas fixas e volantes em áreas estratégicas da cidade e apresentações culturais, todos com vistas a difundir e, portanto, lutar pela implementação dos direitos das minorias. As palestras abordarão temas como Educação e Cultura em Direitos Humanos, Liberdade Religiosa, Dignidade e Desenvolvimento Humanos e Memória de Fortaleza e os Direitos Humanos. As oficinas, que serão divididas em teóricas e práticas, pretendem dar ferramentas aos participantes de se expressarem por diversas linguagens.


Além disso, 15 grupos de arte pública estarão, ao longo da semana, realizando apresentações em vários locais da cidade. Os grupos são: Amplitude, Selo Coletivo, Companhia Pã, Teatro de Caretas, Traços Aleatórios, Liquidificador sem Tampa, Anima, Coletivo Curto-Circuito, Grafiticidade, R.A.M., MeioFio, Mediação de Saberes, Cadafalso, Acidum e Balbucio.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA: http://www.fortaleza.ce.gov.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PAISAGEM DA PEDRA



Salpiquei sobre a paisagem da pedra
Um pouco daquele sal
Que guardamos nas camisolas do tempo.
E ao tocar o lago
Que não era verde nem azul
Senti que tudo estava mais perto
E que a pedra falava comigo
Através do idioma do bem.

Remexi naquele dia
Com a criança que bolina o coração da cozinha,
Assaltando a dispensa
E metido em saliências com os bichos da casa.
Criança baladeira
Que não é mais do que osso,
Couro e sobrancelha
Que cheira naturalmente
Ao azedume daqueles que nascem
Do sonho e da terra.

CONVERSA COM EDUARDO



Eduardo uma vez me disse
que as veias abertas sangram
e que sangram muito.

Sangram diariamente nas horas,
nas portas,
nos templos
e nas acareações públicas.

Sangram no suplício
do cotidiano das fábricas.
Sangram no olhar frio das armas,
no útero cancerígeno dos quartéis.

Sangram e pedem remorso
mesas brancas
danças negras
tanta saudade de Macondo
e dos curumins de minha casa.
Mas ainda não foi possível estancar.

Sangram no cais sem navios
nas meninas desvirginadas
no tédio dos almoços dominicais.
Sangram os negros boçais,
cortam os pulsos
e sangram de verdade.
Verdade que falta nos jornais
e nos casamentos arranjados.
Sangram a honestidade de filhos e pais.

Sangram na comida que é pouca
Sangram a roupa
o lençol
Sangram o sertão,
a cidade e as matas
Sangram São Francisco
te sangram por nada
por pílula nenhuma
que derrube a sede emanada.

Sangram minha oiticica,
meu martelo enferrujado,
casa de pau-a-pique,
meu celeiro, meu roçado.
Sangram a noite
quando os tiros deram trégua
Sangram infelizes
minha reza
meu apocalipse
galinha caipira foi quem mais sangrou.

Sangram a velha rabeca
encostada
quase falecendo
adoecida com um remendo
do tamanho da minha tristeza.
Sangram caríssima natureza
teu caule
e meu caule
tua folha
e minha flor
Sangram até o pensar
se até já sangraram o amor.

E sujo o sangue
pois são veias
ofende as palavras
mofando livros e poetas
que tanto lançaram pequenas agulhas
na vastidão de nossas colchas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EURICO BIVAR




Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural -
diante dos acontecimentos de cada dia.
Numa época em que reina a confusão,
em que escorre o sangue,
em que se ordena a desordem,
em que o arbítrio tem força de lei,
em que a humanidade se desumaniza....
Não digam nunca - Isso é natural! -
Para que nada passe a ser imutável.

Eu peço com insistência
Não diga nunca - Isso é natural -

Sob o familiar,
Descubra o insólito,
Sob o cotidiano, desvele o inexplicável.

Que tudo o que é considerado habitual
Provoque inquietação,
Na regra, descubra o abuso,
E sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio.


Bertolt Brecht

a Arte de Bivar sempre será mais forte que qualquer violência...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2010 VAI PARA O PERUANO MÁRIO VARGAS LLOSA


O prêmio Nobel de Literatura de 2010, divulgado nesta quinta-feira (7) às 8h (horário de Brasília), foi para o escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 74 anos.

De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e suas afiadas imagens da resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa.

O ganhador do Nobel recebe um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares).

Autor de obras como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994.

Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo sua biografia em seu site oficial.

Em 1959, ganha uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa - incluindo Espanha e Paris - onde publica seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e uma peça de teatro chamada "La huída del Inca".

O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), particpando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.